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O TEMOR E O MEDO DO PINTOR

O AFETO DO OLHAR, O TEMOR E O MEDO DIANTE DO PINTOR

O processo de criação de um pintor pode ser comprado a várias coisas e eu o comparo com um cata-vento movendo suas hélices em velocidades variadas de acordo com a força do sopro. Uma corrente de vento que sopra em direção ao artista provocando nele a vontade de criar, ou seja, é como um vento que sopra incontinente impulsionando uma intuição criadora ou inventiva voltada para a ação que se afeiçoa ao ato de fazer. O sopro do fazer rompe a névoa da incerteza e provoca o artista para a invenção e ele parte para a realização da construção de uma obra, bem como o leva a seguir o fluxo que afeta e aponta para um conhecimento afetivo do mundo. Este é um processo que se vale muito da intuição.

A intuição pode ser percebida através da obra de arte que revela sentimentos e emoções desenvolvidas no envolvimento com uma ação afetiva e objetiva. Com a observação nasce uma possibilidade de conhecimento, um conhecimento afetivo do mundo. ou mesmo de uma intuição criadora, que se encontra na arte do olhar e na poesia do ver. E, com isto é capaz de induzir o artista a uma visão poética, própria inventada a partir de seu mundo visível. Que é também uma visão estética na retirada daquilo que o pintor vê e que o circunda e que se formula em seu mundo interior. Em verdade, esboça o destemor de enxergar que está acompanhado de duas investidas ao mundo externo: olhar e enxergar observada as deliberações: a liberdade e a disciplina, que podem ser verificadas a partir da ação de desenhar.

O fato de observar implica em um ato de olhar e em um novo modo de ver, ou seja, implica em enxergar. Através do olhar observador o artista entra em contato com o mundo visível, objetivo e externo. O seu olhar o mundo através da observação desperta nele a curiosidade e o senso estético como o interesse de fazer o que se vê, inventando assim uma representação, ou seja, o seu modo de ver: sua visão de mundo

As várias formas de expressão conhecidas nas artes plásticas, tal como o desenho e talvez a pintura, possibilitam ao artista o desenvolvimento da sua capacidade de inventar, através de uma ação criadora. Assim desperta o para uma linguagem plástica. Trata-se de uma linguagem, específica, silenciosa e destituída de medo. Uma linguagem tênue capaz de exprimir com exatidão o sentimento e a emoção da expressão do artista.

O ato de desenhar exige, portanto, uma atenção especial. A partir do olhar, sem medo e do ver sem temor, nasce o ato de observar. Observar e desenhar revela o mundo interior do artista.

Seja na conduta de um olhar dirigido, em que este o conduza a assumir uma atitude mais precisa diante do mundo visível, através de um olhar que o leve a construir um foco específico, que o faça distinguir o olhar do ver e que faça deste olhar a ligação sendo assim, objetivo na sua subjetividade, seja com a realidade externa sem temer a objetividade da realidade visível.

O ato de ver é desta forma, decorrente de um despertar do olhar para um mundo externo visível, embora desconhecido. E, talvez por falta de discernimento deste olhar, o ato de ver busca um foco especial a partir da observação criteriosa o correspondente ao subjetivo e que amplie o olhar constituído assim um modo de ver especial. Portanto, para o artista que observa, aquilo que ele olha sem medo e vê sem temer é na seqüência, um ato de enxerga. Esta enxerga perfaz uma síntese do seu olhar o mundo.

Aprende-se assim, a distinguir o olhar do ver. E, a partir deste momento inicia-se a ação de enxergar. Enxergar, portanto, está em perfeita concordância na relação dialética entre o olhar e o ver em que a síntese é enxergar. Toda esta ação dialética está em perfeita harmonia com negação do medo de não ver, superado pela ação de ver com objetividade atingindo a síntese de enxergar sem temor.

Pensando assim, deve-se estimular a observação do artista para desenhar e pintar de modo a produzir uma relação afetiva com o mundo. Uma relação destituída de medo.  Porém deve se temer esta ação, pois, ao introduzir o olhar do artista no mundo da arte, deve-se tomar cuidado, já que, o olhar é confuso e indistinto e por vezes, apregoado de medo e nesta ação difusa verifica-se que no temor a atenção é imprecisa.

Além disto, a observação desperta no artista uma ação comprometida com o  enxergar, permitindo-lhe desenvolver e apurar os sentidos de sua visão. Através da ação de observar e pelo exercício de desenhar com objetividade, pode-se produzir um olhar com afeto: um olhar afetivo do mundo. Sendo assim, esta visão estética cabe na precisão da subjetividade do artista que é precisa e que o faz corajoso diante do impreciso temor à indisciplina e torna-o digno diante da liberdade criativa do olhar.

Neste sentido pode se associar a uma ação do pintor e pode se dizer que Guignard via o mundo sem temor.  Um destemor que ele vivenciava em suas famosas aulas ao ar livre, no parque municipal. Corajosamente olhava as coisas e com este exemplo despertava em seus discípulos a precisão, tendo como certeza a liberdade de ser. Neste sentido o desvestido do temor de enxergar tendo a liberdade sem medo como a disciplina da certeza de fazer e o medo da indisciplina bem como o temor da falta de liberdade.

Assim, ao referenciar a conduta de Guignard que, sem medo, levava seus alunos para desenharem no parque municipal, colocava-os diante da natureza, bem em frente às árvores imensas. Talvez tivesse como objetivo a ação de observar o diverso do mundo para dele distinguir o preciso do impreciso e, o objetivo do subjetivo, para assim desfazerem-se do temor e do medo. E, sem temer, os alunos ficavam durante horas e horas a olhar as coisas, as cores, as copas das árvores, as formas visíveis do mundo objetivo. Portanto, ver o mundo e a vida em suas imprecisões ensina o sabor da coragem e reconhece a precisão dos sentidos.

Ao conduzir o olhar em direção ao fazer com objetividade, tal como ensinava o mestre Guignard aos seus alunos, estes buscam a superação do temor e do medo pois, têm a liberdade e a disciplina como aliados ao afeto do olhar.

Através do invisível, do mergulho no mundo subjetivo, no mundo do impreciso, o olhar individual do artista supera a subjetividade e então surge um olhar afetivo, um olhar corajoso. Nasce um destemido ver. Um ver capaz de nele despertar um senso estético, um ver destituído de medo e livre de temores. Sem amarras ancoradas no temor de errar e de não saber, mas confiante no fazer. Simplesmente fazer sem temer, e assim desenhar como o agir do coração.

18 /3/2011

Carlos Wolney Soares

 

 

 

Telhados e Árvores

Telhados e Árvores

Árvore

MINHA ÁRVORE

A árvore, tema visível em minha pintura, ocorre a partir da observação de elementos visuais que escapam da terra onde acontece a paisagem.

 A partir da minha relação com o mundo com o meu olhar recolhe formas que se inscrevem fortemente em minha mente e, contidas em  minha imaginação  percebo  que nessa relação, surgem certas imagens retiradas da paisagem, criando síntese entre o real e o simbólico.

A imagem que se imprime em meus trabalhos descreve as traduções visuais por mim percebidas entre o visível e o invisível, expressam minha perplexidade nas variações cromáticas, nas pinturas e nos desenhos que revelam as tonalidades contrastantes das minhas árvores.

Visão poética que é apreendia através de um olhar que se modifica enquanto se constrói.

 

Carlos Wolney Soares

Ilusão – Fantasia

crloswolney  ilusão

carloswolney ilusão

Desenhos

CWolney 1994 Entrada da Guignard

Não foi para a narrativa visual aproveitando os esquemas formais das histórias-em-quadrinhos, nem para a fixação da montanha com marca indisputável da mineiridade que o desenho deste jovem mineiro Carlos Wolney, nascido em cidade pequena, demonstrou preferência até hoje. Mas, ainda que desvinculado dessas duas características fundamentais da produção artística recente no seu estado, pode-se encontrar no trabalho que vem realizando desde o início da década de 1970 elementos indicativos de ligação mais com a atmosfera que respira do que com  a terra que pisa.

Pelo retorno às coisas da infância, o lirismo se mesclando a alguma agressividade (lembrem outro artista de Minas, um pouco mais velho, Álvaro Apocalypse), o traço econômico, seguro e sugestivo, e as cores surgindo simples, como comentários à margem, o seu desenho é bastante mineiro. Reflete a constante da anotação diária, do ensimesmamento, da ruminação de idéias que, de repente, com candura e agudeza simultâneas, se explicitam. “Toda vez que desenho, parto de uma experiência carregada de emoção. Os traços agrupam-se, constituindo um todo harmônico numa sugestão nascida e olhos críticos”.[1]

 Roberto Pontual

 

 

 

 

 

 

 



[1] PONTUAL. Arte brasileira contemporânea, p. 367.

A casa é símbolo da intimidade, do espaço interior. Nesta série de Carlos Wolney, ela se constitui como o tema único à procura de uma integração no espaço do mundo. Como se trata de representar o absoluto da interioridade, a casa é vista de fora como emanação de silêncio e de calor. Não tem quase perspectiva e profundidade. Na amplitude elementar de sua forma, a modulação da cor sugere o contorno do telhado e as quinas das paredes. A casa não pode ter volume, para não fechar-se, para não arredondar-se sobre si mesma. Trata-se da constatação pictórica de que o interior se torna visível como forma externa, dada ao mundo.

Penso que esta série de Carlos Wolney poderia intitular-se auto-retrato. Contemplo-a repetidas vezes e nela percebo não propriamente o artista buscando ver-se, mas o sujeito colocando-se plasticamente. A tensão entre o dentro e o fora é o único suporte do ritmo e da proporção. O sentido do espaço, a partir do interior, reverbera na forma externa. Eis por que a porta é o ponto central do equilíbrio da composição geométrica da casa. Nela concentra-se a pulsação interna, sobretudo quando se representa aberta, revelando, como único elemento de profundidade pictórica, os desdobramentos interiores do silêncio e uma certa atitude de espreita.

Às vezes, a geometria da casa se instaura insólita, num exterior figurativo. Então, o descompasso com o mundo se torna evidente, porque o exterior se reduz a uma elementar ficção de paisagem. Não é aí que o artista pretende enraizar a casa, mas no mundo verdadeiro, onde a tela existe, e a partir de onde olhares percorrem a intimidade sugerida. A geometria deve, pois, assimilar-se à dimensão da própria tela, apossar-se de suas extremidades, sem, contudo, confundir-se com ela a fim de que a tensão entre a casa e a paisagem deixe de ser meramente representada e se concretize no efetivo espaço do mundo.

A imagem pictórica é a imensidão íntima: o enraizamento da casa no cosmo interior, traduzindo um movimento de expansão de fora para dentro, das bordas para o centro, confluindo para a porta, cuja significação expresso com palavras de Bachelard: a porta é o “cosmos do entreaberto”, a “tentação de abrir o ser no seu âmago”.

Em movimento que se incorpora ao ritmo da cor, nos telhados, o espaço interior termina por romper com o limite do contorno e se confunde com o céu. A casa, ao fim, é uma possibilidade em aberto, forma carregada ainda de energia vital que a manteve concentrada em si mesma e em expansão.

Na obscuridade intensamente azul, alguma coisa evoca, em plena abstração, a intimidade elementar da casa.

Sônia Viegas – outubro de 1986.

 


O TEMOR E O MEDO  DO PINTOR DIANTE DO AFETO DO OLHAR 

 O processo de criação de um pintor pode ser comprado a várias coisas e eu o comparo com um cata-vento movendo suas hélices em velocidades variadas de acordo com a força do sopro. Uma corrente de vento que sopra em direção ao artista provocando nele a vontade de criar, ou seja, é como um vento que sopra incontinente impulsionando uma intuição criadora ou inventiva voltada para a ação que se afeiçoa ao ato de fazer. O sopro do fazer rompe a névoa da incerteza e provoca o artista para a invenção e ele parte para a realização da construção de uma obra, bem como o leva a seguir o fluxo que afeta e aponta para um conhecimento afetivo do mundo. Este é um processo que se vale muito da intuição.

 A intuição pode ser percebida através da obra de arte que revela sentimentos e emoções desenvolvidas no envolvimento com uma ação afetiva e objetiva. Com a observação nasce uma possibilidade de conhecimento, um conhecimento afetivo do mundo. ou mesmo de uma intuição criadora, que se encontra na arte do olhar e na poesia do ver. E, com isto é capaz de induzir o artista a uma visão poética, própria inventada a partir de seu mundo visível. Que é também uma visão estética na retirada daquilo que o pintor vê e que o circunda e que se formula em seu mundo interior. Em verdade, esboça o destemor de enxergar que está acompanhado de duas investidas ao mundo externo: olhar e enxergar observada as deliberações: a liberdade e a disciplina, que podem ser verificadas a partir da ação de desenhar.

 O fato de observar implica em um ato de olhar e em um novo modo de ver, ou seja, implica em enxergar. Através do olhar observador o artista entra em contato com o mundo visível, objetivo e externo. O seu olhar o mundo através da observação desperta nele a curiosidade e o senso estético como o interesse de fazer o que se vê, inventando assim uma representação, ou seja, o seu modo de ver: sua visão de mundo

 As várias formas de expressão conhecidas nas artes plásticas, tal como o desenho e talvez a pintura, possibilitam ao artista o desenvolvimento da sua capacidade de inventar, através de uma ação criadora. Assim desperta o para uma linguagem plástica. Trata-se de uma linguagem, específica, silenciosa e destituída de medo. Uma linguagem tênue capaz de exprimir com exatidão o sentimento e a emoção da expressão do artista.

 O ato de desenhar exige, portanto, uma atenção especial. A partir do olhar, sem medo e do ver sem temor, nasce o ato de observar. Observar e desenhar revela o mundo interior do artista.

 Seja na conduta de um olhar dirigido, em que este o conduza a assumir uma atitude mais precisa diante do mundo visível, através de um olhar que o leve a construir um foco específico, que o faça distinguir o olhar do ver e que faça deste olhar a ligação sendo assim, objetivo na sua subjetividade, seja com a realidade externa sem temer a objetividade da realidade visível.

 O ato de ver é desta forma, decorrente de um despertar do olhar para um mundo externo visível, embora desconhecido. E, talvez por falta de discernimento deste olhar, o ato de ver busca um foco especial a partir da observação criteriosa o correspondente ao subjetivo e que amplie o olhar constituído assim um modo de ver especial. Portanto, para o artista que observa, aquilo que ele olha sem medo e vê sem temer é na seqüência, um ato de enxerga. Esta enxerga perfaz uma síntese do seu olhar o mundo.

 Aprende-se assim, a distinguir o olhar do ver. E, a partir deste momento inicia-se a ação de enxergar. Enxergar, portanto, está em perfeita concordância na relação dialética entre o olhar e o ver em que a síntese é enxergar. Toda esta ação dialética está em perfeita harmonia com negação do medo de não ver, superado pela ação de ver com objetividade atingindo a síntese de enxergar sem temor.

Pensando assim, deve-se estimular a observação do artista para desenhar e pintar de modo a produzir uma relação afetiva com o mundo. Uma relação destituída de medo.  Porém deve se temer esta ação, pois, ao introduzir o olhar do artista no mundo da arte, deve-se tomar cuidado, já que, o olhar é confuso e indistinto e por vezes, apregoado de medo e nesta ação difusa verifica-se que no temor a atenção é imprecisa.

 Além disto, a observação desperta no artista uma ação comprometida com o  enxergar, permitindo-lhe desenvolver e apurar os sentidos de sua visão. Através da ação de observar e pelo exercício de desenhar com objetividade, pode-se produzir um olhar com afeto: um olhar afetivo do mundo. Sendo assim, esta visão estética cabe na precisão da subjetividade do artista que é precisa e que o faz corajoso diante do impreciso temor à indisciplina e torna-o digno diante da liberdade criativa do olhar.

 Neste sentido pode se associar a uma ação do pintor e pode se dizer que Guignard via o mundo sem temor.  Um destemor que ele vivenciava em suas famosas aulas ao ar livre, no parque municipal. Corajosamente olhava as coisas e com este exemplo despertava em seus discípulos a precisão, tendo como certeza a liberdade de ser. Neste sentido o desvestido do temor de enxergar tendo a liberdade sem medo como a disciplina da certeza de fazer e o medo da indisciplina bem como o temor da falta de liberdade.

 Assim, ao referenciar a conduta de Guignard que, sem medo, levava seus alunos para desenharem no parque municipal, colocava-os diante da natureza, bem em frente às árvores imensas. Talvez tivesse como objetivo a ação de observar o diverso do mundo para dele distinguir o preciso do impreciso e, o objetivo do subjetivo, para assim desfazerem-se do temor e do medo. E, sem temer, os alunos ficavam durante horas e horas a olhar as coisas, as cores, as copas das árvores, as formas visíveis do mundo objetivo. Portanto, ver o mundo e a vida em suas imprecisões ensina o sabor da coragem e reconhece a precisão dos sentidos.

 Ao conduzir o olhar em direção ao fazer com objetividade, tal como ensinava o mestre Guignard aos seus alunos, estes buscam a superação do temor e do medo pois, têm a liberdade e a disciplina como aliados ao afeto do olhar.

 Através do invisível, do mergulho no mundo subjetivo, no mundo do impreciso, o olhar individual do artista supera a subjetividade e então surge um olhar afetivo, um olhar corajoso. Nasce um destemido ver. Um ver capaz de nele despertar um senso estético, um ver destituído de medo e livre de temores. Sem amarras ancoradas no temor de errar e de não saber, mas confiante no fazer. Simplesmente fazer sem temer, e assim desenhar como o agir do coração.

18 /3/2011

Carlos Wolney Soares

CARLOS WOLNEY

Carlos Wolney não é um pintor empertigado, um recusante a falar de seus trabalhos. Ele fala, discute, brinca, às vezes resmunga – conversa sobre o que faz. Porém, tão às claras suas preocupações e dúvidas, -não faremos aqui uma apresentação tal qual as costumeiras, mas sim, tentaremos buscar um entendimento de sua produção e de sua “palavra”.

Deste modo, os diálogos com o pintor serão aproveitados, pois cremos, elucidará o atual processo vivido por ele em sua pintura.

Wolney é um artista que tem a ancoragem em pintores que nos deixaram lições pertinentes e que, infelizmente, estão quase esquecidos pelos contemporâneos. Tais pintores alertaram a sociedade do fim do século passado e começo do atual para a importância da pintura enquanto obra oriunda de uma unidade interna. O alcance desta unidade interna só é possível através de um princípio fundamental: a cor. Nesta concepção, a pintura deixou de ser norteada por um desenho rigoroso, preciosista. Diz Wolney: “A pintura é cor” e “saber pintar é perceber a cor”. Notamos então sua admiração por Cézanne, Matisse, Pancetti, Volpi e outros que percorreram a trajetória da cor. Podemos dizer ainda que, para o nosso artista, não existe distinção entre pintura e elaboração da percepção a partir do fundamento cor.

O homem é um ser perspetivo, e na elaboração da percepção via cor, atinge a pintura. E Wolney é excelente pintor; não porque é mais sensível, não porque é “antenado”, como professa a teoria que defende o artista como ser especial. Wolney é um grande pintor porque trabalha a sua percepção de mundo  não como observador que a tudo fotografa. Mas sim, como trabalhador a organizar em sua tela as cores – cores que se relacionam e montam formas belas sem qualquer dependência com as cores das coisas, as cores fotográficas.

Aquele que desejar o preciosismo do detalhe, não o encontrará em Wolney. O pintor não é um analítico em sua obra. A pintura não resulta de um amontoado de detalhes. Ele busca a globalidade – não fica economizando tinta em pequenas manchas, não usa várias cores abusando dos pigmentos. Utiliza algumas cores e as usa em grandes espaços, pois pretende uma beleza que resulta destas grande manchas coloridas tão bem relacionadas.

Tal procedimento torna sua concepção de pintura “séria e conseqüente” – sendo o juízo ético plenamente justificado na leitura simples do “ofício” pintar. Pintar não é algo complicado. É uma tarefa árdua e constante na busca da simplicidade – no estudo das cores que articula entre si numa tela. Ser artista é perceber e organizar com argúcia as cores, cai por água abaixo uma postura de complicações despidas de fundamentação. Salientamos ainda que a simplicidade pictórica de Wolney está aliada a sua determinação. Wolney em sua caminhada estética fez uma série de “Bonecos”. Tais bonecos pintados eram belos em seu colorido vivaz, um tanto tachista. Mais tarde deteve-se na percepção das paisagens: cores elaboradas a partir da percepção intrínseca do eu-mundo e não reduzidas ao frio mundo da fotografia.

Atualmente nosso pintor faz figurativos e abstratos. Em seu figurativo a cor estrutura a figura. Mas de certo modo a cor não é tão livre, pois cumpre-lhe a tarefa de fazer referência às coisas. Assim percebemos as casas, as árvores, pois as cores criam estas formas. Com a pintura abstrata a liberdade se efetiva de outra forma, uma vez não há necessidade alguma de sugerir as coisas. Wolney está realizando o figurativo e o abstrato.

Seria oportuna agora a indagação: e agora Wolney?

Fizeste bonecos, paisagens, gatos amarelos,: tens  muitas dúvidas ainda?

Aguardamos a resposta, pois determinado como és, ou a resposta já chegou (e somos todos tolos em não entender), ou está por vir no decorrer de seu longo e árduo processo criativo.

ADALGISA ARANTES

PINTURA

PINTURA

 

DO AZUL MAISAMARELO

RETIRO O VERDE.

COM O AZUL  EU FAÇO O CÉU.

O AMARELO PINTA A CASA.

O VERMELHO É BARRANCO,

TERRA.

O VERDE É  MONTANHA,

ÁRVORE.

E A CAL DEIXA O MURO  BRANCO.

CWS

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