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TORRÃO DE TERRA

 

 

 

 

 

TORRÃO DE TERRA

 

TERRA ROXA

BROTADA EM

ROCHA

ENCOSTA DE

ESTRADA

RARO BARRANCO

DE BELEZA BRUTA

 

Carlos Wolney Soares

Carlos Wolney

 Exposição

A contensão disciplinada que já conhecíamos no desenho  de Carlos Wolney redimensiona-se agora na sua obra de pintura. E a glória dessa contensão, dessa disciplina, mais se destaca porque, optando principalmente pelo figurativo, o artista quer fazer um arte participante. E é sempre difícil manter a lucidez e o equilíbrio no “engajamento“ artístico — no campo social por exemplo. Wolney o está conseguindo: com a severidade áspera do traço librada por um cromatismo direto e grácil, ele socializa para nós certa dor, um certo medo do mundo. Medo pânico nos olhos esgazeados dessas mofinas figuras que ele desenha e que parecem anjinhos barrocos humanizados em uma sinistra maturidade precoce. No caracol dos cabelos, o novelo da vida. Na face machucada luzes baças de fátuo brilho. Revelam o espanto dos que acordam (por engano) em um mundo sem sentido. Há é certo balões azuis, papagaios, cavalos, bicicletas, burrinhos e  uma nostalgia da infância, “com toda  a sua vanidade fremosa”. Há frautas, banjos e até violinos. E até o colorido impossível de impossíveis firmamentos, que vem difanizar a tez de certo rosto, a textura de certos ares (lentos). Mas, no mais, é o mundo sem o éter das eternidades, onde as figuras movidas pela inquietação andam seus passos frustrados, balançam suas pupilas dentro de cavidades vítreas, disfarçam suas carências fundamentais formando pares de paridade ambígua , trios de invencíveis solidão. Wolney, eu sei que “a arte é mensageira do inefável” e que é “estultice querer dizer de novo o que ela já disse à sua maneira”. Mas eu vejo tanto no que você já nos disse, que  advinho o muito que você vai nos dizer. E não deixo de perceber, por sob o esfumado das cores que cercam os semi-contornos de suas figuras, a verdade humana delas. Não me esqueço de destacar aquela fiandeira, aquela costureira que tece roupas com sua consciência operária. E, acima de tudo, vejo o sentido daquelas bocas impedidas de gestos-palavras. Eu sei que, pelas bocas costuradas de suas figuras, uma geração inteira está resmungando resmungos desensofridos e esquerdos — mas que incomodam: porque denunciam.[1]

Moacyr Laterza



[1] LATERZA, Moacyr. Catálogo de Exposição, p. 3.

 

Carlos Wolney Soares

Aos temas figurativos emocionais do início de seus estudos, Carlos Wolney acrescentou símbolos da vida e da tragédia do mundo moderno. O interesse do jovem artista mudou pela necessidade pessoal de integração aos novos caminhos de sua geração.

O individual e o coletivo surgem  em cada detalhe de sua composição fracionária, principalmente no grafismo emocional, na textura de cinzas, melancólicos na justaposição dramática de brancos e negros. As linhas tensas singularizam seus trabalhos, resguardando o seu mundo de mensagens, que precisam ser captados. Pensamento, sentimento, representação plástica, fundem-se de maneira a não só testemunhar o momento em que vivemos, mas participar, também, da reconstrução do mundo fragmentário, que ele tenta unificar, usando simbolicamente o recurso da estória-em-quadrinhos, ou melhor, dos quadrinhos sem estória numa tentativa de atingir o público, para uma comunicação mais direta.

Sua obra convida o espectador a despertar da sua comodidade mental e fazer um esforço para captar sua estória sem lógica aparente, mas dentro de uma visão do mundo, construída em função de uma nova realidade.

Sara Ávila



[1]SOARES. Exposição individual, p. 1 (Catálogo de Exposição)

GUIGNARD E O AFETO DO OLHAR

Cada época exige da Escola Guignard, conforme a demanda, uma reflexão. O desafio de hoje é o desenho. O desenho é especificidade da Escola que se baseia na liberdade com disciplina. Guignard nos ensina a ver o mundo, uma resposta através de uma livre, porém, disciplinada visão internalizada pelo olhar afetivo.

O Desenho e a pintura, dentre as formas de expressão conhecidas das artes plásticas, possibilitam o desenvolvimento da capacidade de criar e despertam no artista o envolvimento com uma linguagem plástica específica capaz de exprimir uma visão própria e estética do mundo, humanizando-o.

O homem entra em contato com o mundo visível através da visão. O fato de observar implica no ato de olhar e ver e então enxergar. Desperta o interesse em ver e olhar as coisas. Conduz a um conhecimento específico que se amplia a partir da observação. O artista olha o  mundo, observa e vê, posteriormente enxerga. Aprende a distinguir o olhar do ver e a enxergar. Observar o mundo desperta no artista o senso estético.

A partir desta relação inicia-se uma integração entre o ver e olhar conduzindo a um “verolhar”. Essa ação integrada está em perfeita consonância na relação entre o que se olha e o que se quer ver e através do olhar perfaz a síntese de enxergar. Toda esta dialética está em perfeita harmonia com a intuição criadora e o fazer.

O ato de desenhar exige uma atenção especial na conduta da visão implicado no fato de olhar e ver e também fazer que decorre de um desejo de representar o que se vê . O artista pode assumir uma atitude mais precisa com o ver e com o olhar ao fazer o que se olhar e vê. Esta visada aponta para um foco específico e se distingue de outros pelo fazer o que se vê e olha. O fazer produz um olhar cambiante que se modifica enquanto se constrói. Assim, desenhar, ou seja, ver e fazer pode produzir um “Desenholhar”.

É como um vento que sopra abrindo caminho na névoa da incerteza e, tal como a intuição, aponta para um conhecimento afetivo do mundo.

Pensando assim, deve-se estimular no artista a observação para desenhar e pintar. Há aí uma interação afetiva que se inicia dentro da relação do sujeito com o mundo. Porém, ao introduzir o olhar no mundo da arte deve ter cuidado, pois, esta ação é imprecisa na objetividade, mas precisa na subjetividade que conduz o olhar à visão.

Cabe, então, ao artista educador, despertar para a ação de enxergar permitindo ao aluno desenvolver os sentidos em busca de um conhecimento estético e afetivo do mundo.

A ação de “verolhar” pode se dar através da observação, pelo exercício de desenhar, designar o que afeta o olhar e a visão. Um olhar com afeto conduz a uma visão afetiva do mundo em atitude ver e fazer, fazer e ver, um desenrolar do olhar, um “desenholhar”.

Guignard conduzia seus alunos ao Parque mMunicipal, para desenhar. Colocava-os diante da natureza. Deixava-os em frente às árvores durante horas e horas com o objetivo de neles despertar a observação.

Assim, os alunos se punham a olhar as coisas e as cores de um mundo objetivo com um impreciso olhar. Um olhar subjetivo que se modificava no momento em que colhiam aspectos precisos durante a observação, despertando neles o olhar afetivo.

Ver o mundo e a vida em suas imprecisões, através da liberdade de olhar e da curiosidade de ver, talvez fosse o modo de como Guignard ensinava o preciso. Isto é, o modo de enxergar com a precisão da disciplina do olhar tendo como intenção a liberdade de ver com o sentido de ver o dado, aquilo que se é dado a ver como o verdadeiro e a disciplina como o desígnio do olhar, no sentido de ser desenhado, aquilo que é designado pelo olhar. Então, todo este procedimento perfaz um “desenholhar”.

O ver visita a verdade vista pelo olhar absorto que se transforma em uma fonte de conhecimento a qual afeta o próprio olhar. Provocando com isto uma visão de mundo. Guignard propôs um método em que se tem a liberdade e a disciplina. Proposta que ele vivenciava em suas famosas aulas ao ar livre permitindo o desenvolvimento da capacidade criadora como condutora de um caminho no ensino da arte.

Penso que ao conduzir o olhar em direção à objetividade, tal como ensinava o mestre, estaremos indicando um “desenholhar”

Assim, após 50 anos de sua morte, ainda vivenciamos na GUIGNARD a disciplina da Liberdade de ver através do afeto do olhar, porém, sem o GUIGNARD.

Carlos Wolney Soares

Professor Mestre em Artes Visuais

Vice-Diretor  da Escola Guignard-UEMG

 

A Cor

 

Paisagem Modernista

Carlos Wolney. Paisagem modernista, 1994. Técnica mista. Coleção Cláudia Vial.

A Cor

O Azul está lá longe
Infinito
É céu
Em cima da montanha
Bem no alto
O verde corta o azul
É árvore
Cá embaixo
No barranco
O vermelho atrai
É terra
Bem perto a mim
O amarelo expande:
É casa.
E passageira a nuvem flutua o branco.
Carlos Wolney Soares

COLEÇÃO PARTICULAR

COLEÇÃO MARIA AUGUSTA

CAPAS DO SUPLEMENTO LITERÁRIO

Acesse o Suplemento online: www.cultura.mg.gov.br

Exposição Coletiva

Local: Praça Tiradentes,240. Sete Lagoas, Minas Gerais

Abertura:  dia 21 de outubro às 18horas

Encerramento dia 22 de novembro

Amostra dos Quadros:


arvore_vermelha
arvore_verdearvore_azularvore_amarela

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